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Como engravidar com ovários policísticos

30% dos casos de mulheres que não conseguem engravidar estão relacionados à Síndrome dos Ovários Policísticos

Distúrbios no ciclo menstrual e obesidade, muitas vezes acompanhados de acne e aumento da quantidade de pelos, podem indicar a chamada Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). A doença pode atingir cerca de 20% das mulheres em idade fértil. Segundo dados do IBGE, 30% dos casos de mulheres que não conseguem engravidar estão relacionados à SOP, o que corresponde a, aproximadamente, 2,5 milhões brasileiras, e dessas, 400 mil são de Minas Gerais.

A SOP é caracterizada por anormalidades hormonais que são, ao mesmo tempo, causa e consequência dessa doença. O estado constante de amenorreia (ausência da menstruação) ou oligomenorreia (ciclos menstruais longos), devido à anovulação, acabam gerando um desarranjo no padrão endócrino. Algumas mulheres apresentam elevação dos níveis de insulina, aumentando o risco de diabetes, e a grande maioria delas níveis de androgênios aumentados, o que dificulta a ocorrência da ovulação e, consequentemente, da gravidez.

A alteração nas taxas de insulina, além de estar relacionada com maior tendência a desenvolver diabetes e aos danos na área ginecológica, também se relaciona à maior incidência de obesidade e alterações cardiovasculares como elevação da pressão arterial. A anovulação, característica nas mulheres que têm a síndrome, é ainda responsável por quadros de infertilidade.

Ovários policísticos e fertilidade

Mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos tendem a apresentar ciclos anovulatórios (sem ovulação), o que pode diminuir as chances de gravidez. Pacientes com SOP podem apresentar quadros que variam desde ciclos totalmente anovulatórios, precisando do uso de medicamentos para ovular ou até mesmo para menstruar, até ciclos menstruais praticamente regulares ou ligeiramente mais longos. A avaliação médica é de grande valia no diagnóstico da síndrome. A simples presença de ovários com aspecto policísticos à ultrassonografia não significa diagnóstico de SOP.

 

Tratamentos para ovários policísticos

Como dito anteriormente, a associação entre SOP e obesidade é muito comum e a paciente deve ser sempre orientada a ter hábitos de vida saudáveis, fazer atividade física aeróbica e dieta para manutenção do peso ideal. Na presença de resistência à insulina ou mesmo Diabetes Melittus, o uso de medicação hipoglicemiante pode ser necessário.

Do ponto de vista ginecológico, o tratamento para ovários policísticos deve considerar se a paciente deseja engravidar naquele momento ou não. Caso não deseje engravidar, o tratamento será direcionado para a regularização do ciclo menstrual e tratamento dos sinais de hiperandrogenismo: acne, excesso de pelos, pele e cabelos oleosos. Deve-se também proteger o endométrio dos efeitos da constante exposição de estrógenos. Caso deseje engravidar, após o controle do peso, o uso de indutores de ovulação acompanhados pelo rastreamento de ovulação por ultrassonografia é eficaz em grande parte dos casos. A medicação a ser utilizada e a dose ideal é individualizada e deve ser prescrita pelo médico.

Inseminação Artificial e Fertilização in vitro

No caso das mulheres que não têm sucesso nos tratamentos convencionais, existem duas outras opções: IIU (Inseminação Intra Uterina) ou FIV (Fertilização in vitro). No caso da IIU, a paciente deve usar medicamentos para induzir a ovulação, formando, no máximo, três folículos (que contêm os óvulos). No momento da ovulação, o sêmen do parceiro é coletado, preparado e transferido para o interior do útero, onde os espermatozoides terão que chegar até as tubas uterinas, encontrar os óvulos e fertilizá-los, formando assim um embrião.

Já na FIV, o processo é mais longo. Há a estimulação dos ovários com medicamentos, seguida da captação dos óvulos, que será feita via vaginal por meio de punção. Logo após,  ocorre a fertilização dos óvulos com os espermatozoides, em laboratório. Posteriormente, os embriões serão transferidos para o útero materno e após cerca de duas semanas poderá se confirmar o sucesso do tratamento.


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Dra. Claudia Navarro CRM 21.198 / RQE 38.556 Diretora clínica da Life Search e membro do corpo clínico do Laboratório de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da UFMG.
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