A avaliação da reserva ovariana pode ser uma alternativa para planejar a chegada dos filhos, uma vez que a mulher tem a possibilidade de identificar índices como o FSH alto, entre outros que são ainda mais importantes para esse planejamento, como AMH (hormônio antimülleriano) e Contagem de Folículos Antrais (CFA).

Esses tipos de análises laboratoriais são válidas, pois a verdade é que o relógio biológico feminino não acompanha as transformações da sociedade. Enquanto as mulheres se dedicam ao crescimento pessoal e profissional, o corpo não espera, reduzindo as chances de sucesso de uma gravidez após os 35 anos.

O que é reserva ovariana?

A reserva ovariana é a quantidade de folículos existentes no ovário da mulher. Com o passar dos anos, esse número vai caindo consideravelmente, principalmente no final da casa dos 30.

O folículo ovariano é justamente a estrutura que envolve o óvulo e é responsável por liberar o óvulo a cada mês, no processo conhecido como ovulação. Por isso, como saber se está ovulando é uma dúvida que a mulher está tentando engravidar deve ter em mente.

E, caso ela enfrente dificuldade por mais de 12 meses, pode ser importante que a tentante faça algum teste de quantidade dos óvulos.

FSH alto como indicador de reserva ovariana

Apesar de a idade ainda ser um marcador importante sobre a reserva ovariana e a qualidade dos óvulos da mulher, alguns exames podem ajudar a avaliar tudo isso.

Um deles é a medida no sangue do FSH. Entretanto, essa avaliação está cada vez mais em desuso, sendo os principais atualmente:

  • AMH (hormônio antimülleriano);
  • Contagem de Folículos Antrais (CFA).

FSH alto e estradiol

De toda forma, apenas para esclarecimento, segue a explicação sobre esse exame que indica o FSH alto.

A dosagem dos hormônios FSH (hormônio folículo-estimulante) e estradiol é uma das formas indicadas para o estudo da reserva ovariana.

Esse exame deve ser realizado no início do ciclo menstrual, mas vale ressaltar que não tem valor em pacientes que usam hormônios, como pílulas anticoncepcionais. Por outro lado, para as tentantes, é um indicador que pode ser solicitado pelo médico especialista em reprodução humana, ainda que não seja o método que apresenta a maior sensibilidade. 

Em termos de resultados, quanto maior for o valor do FSH, menor será a reserva ovariana. Esses dados devem ser analisados juntamente com o estradiol, outro hormônio sexual feminino de grande relevância.

Para esclarecer melhor, o FSH é produzido na hipófise e fica responsável por estimular a função dos ovários, ou seja, tem tudo a ver com quem está tentando engravidar. Ele também tem papel importante para os homens, uma vez que está ligado à espermatogênese, associada à produção de espermatozoides.

Principais testes atuais para a reserva ovariana

Como explicamos antes, a avaliação do FSH alto está sendo substituída por outros exames com maior sensibilidade e que podem ser feitas em qualquer época do ciclo.

AMH (hormônio antimülleriano)

A avaliação do AMH (hormônio antimülleriano) costuma apresentar maior sensibilidade que o FSH e conta com a vantagem de praticamente não sofrer a influência do uso de hormônios sintéticos como os anticoncepcionais.

Seu valor é diretamente proporcional à reserva ovariana, ou seja, quanto maior for, melhor deve ser a reserva ovariana.

De toda forma, seu resultado não está comprovadamente ligado à chance de gravidez e, por ser um exame de custo elevado e não ser coberto pelos convênios, o uso não é tão rotineiro. 

Contagem de Folículos Antrais (CFA)

A Contagem de Folículos Antrais (CFA) refere-se ao número de folículos em um estágio inicial (antral) presentes nos ovários que podem ser contados por meio da ultrassonografia transvaginal.

Esse exame apresenta uma sensibilidade semelhante ao AMH e maior que o FSH. Apesar de precisar ser realizado em um aparelho de boa qualidade e por um médico experiente, o custo é relativamente baixo e pode ter um grande valor para a mulher que está tentando engravidar.

Exames de reserva ovariana são perfeitos?

Apesar de ser ciência, a medicina não é exata. Isto é, as variações de cada organismo fazem com que cada análise seja individualizada.

Além disso, não existem análises que avaliam perfeitamente a reserva ovariana, explica a médica Cláudia Navarro, especialista em reprodução assistida.

Por outro lado, a médica afirma que esses testes podem oferecer informações para ajudar as mulheres a decidirem a hora de engravidar. “Esses exames podem ser uma alternativa para as mulheres conhecerem o próprio organismo e adiantarem ou adiarem o plano de uma gravidez”, exemplifica.

Cláudia Navarro alerta, porém, para a redução da capacidade reprodutiva após os 30 anos. “A partir dos 35 anos, essa queda vai se tornando ainda mais rápida e acentuada, alcançando índices muito baixos de fertilidade após os 40 anos”, explica a especialista em reprodução humana.

Congelamento como alternativa para gravidez futura

Para quem opta por postergar a maternidade, o congelamento de óvulos é um tipo de procedimento já presente há anos na realidade das brasileiras.

Para fazer a criopreservação, a mulher irá passar por um processo seguro de indução da ovulação e, então, os óvulos poderão ser coletados e submetidos a uma temperatura baixíssima, -196ºC. E, assim, o material será armazenado em nitrogênio líquido, para então ser utilizado no melhor momento pela paciente.

“Hoje já dispomos de avanços científicos que permitem o congelamento dos óvulos para que sejam utilizados posteriormente, quando for o momento adequado para aquela mulher”, explica a médica Cláudia Navarro.

Conclusão

Nesse artigo, você leu sobre exames que avaliam a reserva ovariana e, assim, pode entender que o FSH alto não deve ser considerado como o principal para as tentantes.

Fazendo as avaliações adequadas, seu médico terá mais informações e condições para determinar a melhor abordagem para você que está tentando engravidar.

Se você é tentante, para saber mais sobre essas avaliações e outras que podem te ajudar, entre em contato.

Sobre Cláudia Navarro

Cláudia Navarro é graduada em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1988, titulou-se mestre e doutora em Medicina (Obstetrícia e Ginecologia) pela universidade Federal também. Atua na área de Ginecologia e Obstetrícia, com ênfase em Reprodução Humana, atuando principalmente nos seguintes temas: donor oocyte, doenças genéticas, counseling, genetics e infertilidade. Atualmente, é diretora clínica da Life Search e membro do corpo clínico do Laboratório de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da UFMG.