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Obesidade dificulta engravidar de fertilização?

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Obesidade é um problema contemporâneo e pode ter influências no processo de fertilização

O sobrepeso é um sério problema de saúde atualmente, e as mulheres têm dúvidas se a obesidade dificulta engravidar, seja naturalmente ou com ajuda das técnicas de reprodução assistida. Dados divulgados pela International Obesity Task Force revelam que 1,1 bilhão de adultos têm sobrepeso e 312 milhões encontram-se obesos. No Brasil, em dez anos, a população obesa no país passou de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016, de acordo com o Ministério da Saúde.

Além de diversos males que o excesso de peso causa à saúde, ele ainda altera significativamente as taxas de sucesso para concepção dentro de um ciclo natural. Ou seja, prejudica a capacidade reprodutiva, impactando na fertilidade.

Obesidade e fertilidade

A obesidade provoca problemas cardiovasculares, afeta a estrutura anatômica e também provoca desequilíbrio hormonal. Por essa última consequência, existe alta incidência de disfunções menstruais e anovulação (falta da ovulação). O risco de subfecundidade e infertilidade, aborto e complicações na gravidez aumentam nessas mulheres. O excesso de peso altera os níveis de insulina que o pâncreas libera e, como consequência, ocorre produção anormal de hormônios pelos ovários.

Nesses casos, a ajuda de um especialista em infertilidade pode ser necessária, com alternativas como indução da ovulação, inseminação intrauterina ou até mesmo a fertilização in vitro. É importante ressaltar que, antes de se iniciar o tratamento, é indicada perda de peso com acompanhamento multidisciplinar.

Fertilização In Vitro

Segundo dados da Fertility and Sterility, revista científica americana, os índices de massa corporal (IMC) influenciam consideravelmente os tratamentos de fertilização in vitro, levantando a temática se a obesidade dificulta engravidar.

Um estudo levou a campo 240 mil pessoas, comparando mulheres com IMC de 18,5 a 24,9 (não obesas) com aquelas com IMC mais elevado. O resultado foi que as taxas de gravidez caíram progressivamente de acordo com o aumento da massa corporal.

A pesquisa revelou ainda que a obesidade também teve impacto negativo nos resultados de fertilização in vitro (FIV) em ciclos realizados para casos de síndrome do ovário policístico. Além disso, o estudo também afirma que filhos de mães obesas, em longo prazo, têm maiores chances de obesidade na infância ou adolescência.

Consequências da obesidade na gestação

Se, mesmo com sobrepeso, a mulher tiver sucesso para engravidar, é importante tomar cuidados durante a gestação. A obesidade aumenta as chances de aborto e também pode causar problemas como pré-eclampsia e diabetes.

No caso de mães diabéticas, há cerca de 50% de chances de que ocorra macrossomia fetal, ou seja, excesso de peso fetal para a idade gestacional, e hipoglicemia. Na pré-eclampsia, pode ser necessário interromper a gravidez antes da hora, o que irá provocar a prematuridade fetal com todas suas consequências.

Controle do peso

Manter uma dieta balanceada é fundamental para mãe e filho. O ganho de peso na gestação é normal, mas há limites estipulados individualmente para cada mulher. Quem está com peso ideal costuma ganhar em torno de 10 kg. Já quem apresenta sobrepeso deve manter esse aumento em, no máximo, 7 kg.

Ser acompanhada por profissionais capacitados e manter hábitos saudáveis são fatores importantes durante a gestação. Maus hábitos alimentares nesse período, por exemplo, resultam em consequências após o parto. Quase 50% das mulheres mantêm os quilos adquiridos na gestação. Então, fique de olho e sempre que necessário procure seu médico.


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Dra. Claudia Navarro CRM 21.198 / RQE 38.556 Diretora clínica da Life Search e membro do corpo clínico do Laboratório de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da UFMG.
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