A reserva ovariana, em termos gerais, é a quantidade de óvulos disponível nos ovários. Cada mulher nasce com uma quantidade que varia entre 1 e 2 milhões de óvulos, que vão sendo reduzidos com o passar dos anos, a cada ciclo menstrual.

O número de óvulos existentes pode interferir na fertilidade e na fecundidade, dificultando uma gravidez. Dessa forma, a avaliação médica e a realização de testes que medem a reserva ovariana, como o antimülleriano, são fundamentais para quem deseja realizar o sonho da maternidade ou mesmo planejar engravidar no futuro.

Neste artigo, vamos entender melhor sobre o assunto e desmistificar algumas questões sobre essa reserva nos ovários. Continue a leitura!

Como funciona a reserva ovariana

Para compreender a reserva ovariana, é importante ter clareza sobre o ciclo menstrual. Ele começa no primeiro dia da menstruação, data que coincide com a entrada na fase folicular. Depois dela, é hora da fase ovulatória – o melhor período para engravidar naturalmente – e, então, a fase lútea.

Se, por um lado, a menstruação dura cerca de cinco dias, em média, por outro, a fase folicular dura até o 12º dia – apesar de poder variar, conforme o corpo de cada mulher. Ao longo desses dias, o folículo prepara a liberação do óvulo de dentro dele.

Esse processo é extremamente importante para resultar numa gravidez, pois, a etapa seguinte é a ovulação, que é o momento oportuno para o espermatozoide encontrar com o óvulo que está sendo liberado, fecundá-lo e, então, posteriormente, ocorrer a nidação.

Entretanto, a quantidade de folículos existentes no ovário da mulher é limitada. Após o nascimento, não há mais produção de óvulos, além de uma perda constante. E, a partir dos 35 anos, essa perda passa a ser mais acentuada, caracterizando uma diminuição na chamada reserva ovariana.

Em outras palavras, a partir dos 35 anos, esse número passa a cair mais e constantemente.

Hormônios relativos à reserva ovariana

Uma tentante que passa a enfrentar a infertilidade costuma se deparar com exames e avaliações das suas chances de concepção.

Para avaliar a reserva ovariana, é comum ouvirmos falar de exames como FSH e antimülleriano, ou melhor, AMH (hormônio antimülleriano), que é produzido pelo ovário e tem papel de regular o crescimento e desenvolvimento dos folículos, que liberam o óvulo para a fecundação.

Geralmente, quanto maior o nível de AMH, maior a reserva. Mas o antimülleriano é apenas um entre os dados que o médico precisa. Portanto, conte sempre com outras avaliações solicitadas pelo especialista que está fazendo o seu acompanhamento.

Vale também lembrar que a qualidade dos óvulos também é uma avaliação necessária, conforme explico no vídeo abaixo.

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4 dúvidas sobre reserva ovariana

Para dar continuidade às explicações sobre a sua reserva ovariana, você verá a seguir algumas perguntas muito comuns de tentantes e, então, a resposta correspondente. Acompanhe!

1. Reserva ovariana baixa é sinônimo de infertilidade?

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a quantidade de óvulos disponíveis diminui consideravelmente ao longo dos anos, como já falamos previamente. Dessa forma, com esse processo contínuo de baixa desde o nascimento, a partir dos 35 anos, a mulher passa a apresentar uma reserva ovariana mais baixa.

Por isso, a recomendação médica é que a mulher tente engravidar antes dessa idade, para que consiga ter maiores chances de sucesso. Além disso, a gravidez antes dos 35 anos é de menor risco, tanto para gestante quanto para bebê.

Entretanto, cada organismo age de um jeito e é possível, sim, mulheres engravidarem mais velhas que isso, mesmo apresentando uma quantidade de óvulos reduzida.

Afinal, a baixa reserva não representa infertilidade ou fator impeditivo à concepção. Caso os exames específicos identifiquem alterações consideráveis na reserva, a mulher poderá recorrer a um especialista em reprodução assistida para discutir sua fertilidade, bem como para encontrar possíveis alternativas para uma gravidez.

2. A indução da ovulação reduz a reserva ovariana?

Essa relação entre indução da ovulação e uma baixa reserva ovariana simplesmente não existe! Mensalmente, o ovário libera cerca de 500 a 600 óvulos, e o corpo só aproveita um para fecundação, na maioria das situações. Caso não ocorra, ele entra em atresia.

Já a indução da ovulação é feita com o uso de medicamentos específicos, conforme a orientação do médico. Então, a indução permite ao organismo a possibilidade de aproveitar uma quantidade maior de óvulos que, na verdade, seria descartada.

Em outras palavras, o objetivo desse recurso da medicina reprodutiva é aumentar as chances de a mulher gerar uma nova vida, conforme seu sonho de gravidez.

3. Testes de reserva podem prever a menopausa?

Os testes empregados para avaliação da reserva ovariana, em geral, estão relacionados à produção hormonal do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano (estradiol, inibinas, FSH e LH). Algumas das avaliações que o médico poderá solicitar são:

  • Ultrassonografia transvaginal (por vezes chamada de endovaginal);
  • Exames hormonais, inclusive de tireoide;
  • Testes provocativos;
  • Hormônio antimülleriano, como mencionado anteriormente.

Entretanto, mesmo que possam auxiliar a medicina reprodutiva no diagnóstico e no tratamento adequado para mulheres com quadro de infertilidade, os parâmetros utilizados ainda não são 100% fidedignos.

Em outras palavras, a realização dos testes analisa o funcionamento ovariano em dado momento, mas não é capaz de prever a menopausa, nem de garantir com segurança a capacidade reprodutiva futura ou mesmo de aferir as chances reais de uma gravidez.

De toda forma, essas informações sobre a reserva ovariana podem ser úteis para a mulher fazer seu planejamento familiar, além de optar pelo congelamento de óvulos. Esse é um dos recursos para quem deseja engravidar no futuro.

4. O uso de pílula anticoncepcional evita a perda de óvulos?

Apesar de as pílulas anticoncepcionais alterarem o ciclo menstrual, impedindo a ovulação, por exemplo, a perda de óvulos é um processo natural do corpo e não pode ser evitado. 

Sendo assim, quem toma anticoncepcional, ou outro medicamento contraceptivo ou não, também terá que lidar com a redução dos óvulos, ao longo do tempo.

De toda forma, se a paciente desejar manter seu ciclo sem a interferência medicamentosa, ela pode usar métodos para prevenir a gravidez que não utilizam hormônios. O DIU de cobre ou prata é uma das alternativas para esses casos. Mas somente seu médico poderá te orientar sobre o que é melhor.

Além disso, mais uma vez, se o objetivo é gerar um filho futuramente, a técnica de criopreservação pode ser útil nesse planejamento da mulher. Com isso, o óvulo fica preservado para ser utilizado num momento oportuno.

Outras informações sobre a reserva

No caso de mulheres jovens, não há recomendações médicas específicas para avaliar a reserva ovariana como exame de rotina. A indicação dessa análise é tão somente para aquelas mulheres que apresentam infertilidade por algum motivo.

Vale lembrar que os marcadores de função ovariana também não devem ser adotados como critérios únicos e definidores de tratamento. Ou seja, o médico especialista em reprodução assistida levará em consideração diversos fatores para emitir o diagnóstico e apresentar as possibilidades existentes.

Para concluir

Os tratamentos para estimulação ovariana associados a relações sexuais programadas podem ser indicados para as pacientes com baixa reserva ovariana ou que vivenciem outras questões de infertilidade. Em outros casos, a Fertilização in Vitro (FIV) ou a doação de óvulos podem constar entre as opções.

É importante reforçar que também pode haver infertilidade sem causa aparente (ISCA) e, ainda assim, o especialista poderá propor abordagens específicas para auxiliar na fertilidade.

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